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26 de Junho de 2010. Eu me lembro do dia exato em que te vi passar por aquele café.

Estava chovendo, mas você não se importava em deixar as gostas caírem pelo seu escuro cabelo. Seu all star vermelho estava ensopado, assim como sua camisa xadrez, aquela mais surrada, que estava a ponto de fazer você ficar três dias na cama por causa de um resfriado.

Eu lia meu livro favorito pela quarta vez. Aquele tempo estava propício para o exato capítulo de “Orgulho e Preconceito”. Eu nem lembrei que meu café estava perdendo toda a sua temperatura, mas algo me chamou atenção enquanto eu observava a janela. Eu queria analisar se já poderia fugir para a minha casa, mas ele estava lá, parado, se escondendo na pequena cobertura que aquele estabelecimento oferecia, e por algum motivo, meus olhos não conseguiam se concentrar em outra coisa, e surpreendentemente os dele também não.

“Eu nunca entendi qual o sentido que as pessoas encontram em ler um livro que já se transformou em filme”, uma voz suave e tranqüila ecoava do outro lado da mesa em que eu me encontrava.

“Eu nunca entendi o sentido de assistir um filme que não retrata a emoção que o livro pode proporcionar”, eu levantei meus olhos e pude observar seu belo rosto, encharcado, com gotas pingando de sua roupa, e com um pequeno e sincero sorriso no rosto.

Eu nunca poderia imaginar que uma chuva conseguiria trazer tanta felicidade, ao cair sobre a terra.

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