“-E então, vocês vão querer alguma coisa?

-Eu posso escolher você?            

-Para onde você vai me levar?”

  

Eu não agüentava mais trabalhar naquele lugar. Tudo bem, fui eu que decidi largar tudo e ir para Nova York e agora eu teria que me virar para me sustentar, mas esse trabalho é insuportável. Bêbados dando em cima de mim o tempo todo, um patrão safado e companheiras de trabalhos promíscuas. Essa era a vida que eu estava vivendo, tudo que eu sempre pedi para que nunca acontecesse comigo.

Era sexta-feira à noite. O pior dia de trabalho. Eu não entendo porque as pessoas gostam tanto da sexta sendo que muitas ainda trabalham no sábado. Estava a caminho do trabalho, quando um grupo de meninos passou com o carro por cima de uma poça me molhando toda.

-Obrigada otários – eu gritei mostrando o dedo do meio. Um deles botou a cabeça pra fora e ficou me encarando enquanto o carro ia sumindo. Ele era um rapaz bem bonito. Cabelos pretos, um olhar lindo e o sorriso torto mais encantador que eu já havia visto. Vi que não tinha muito o que fazer com minha roupa e fui assim mesmo para o trabalho.

Chegando lá ouvi reclamações do chefe, risadas das outras funcionárias e gritos dos clientes bêbados por causa da minha roupa. “Ótimo” pensei.

-Emily, vai atender aquela mesa lá. – meu chefe gritou em meio a música alta que tocava lá.

-Não tem outra pessoa para ir atender? – eu resmunguei e ele me olhou torto.

-Não. As meninas estão fazendo a apresentação delas. Você nunca quis se juntar a elas, então eu te dou 5 segundos para ir aquela mesa. – eu revirei os olhos e fui. “Ótimo” pensei de novo. São aqueles meninos retardados que me molharam agora pouco.

Eu me aproximei deles e vi que eles pararam de falar seja lá o que eles estavam falando, e começaram a me encarar.

-E então, vocês vão querer alguma coisa? – Vi um deles dando um sorriso malicioso e os outros começaram a rir.

-Eu posso escolher você? – O moreno que eu havia visto por último respondeu. Eu pensei em várias respostas que eu poderia dar, mas nenhuma pareceu boa o suficiente.

-Para onde você vai me levar? – eu levantei uma sobrancelha e quando me dei conta todos os seus amigos estavam, digamos assim, chocados.

-Para o paraíso. – ele deu um leve sorriso torto que fez com que meus lábios automaticamente fizessem isso também. Ironia do destino ou não, começou a tocar no bar, pela primeira vez em 2 anos uma música pop, E.T. da Katy Perry. Take me, T-T-Take me, wanna be your victim, ready for abduction. (Leve-me, le-le-leve-me, quero ser sua vítima, pronto para a abdução). Essas palavras fizeram com que eu tomasse uma decisão que mudaria minha vida.

-Pode me levar então. – Eu estendi minha mão fazendo com que ele a pegasse e me tirasse daquele lugar. Ouvi meu chefe gritar coisas do tipo “volta aqui”, “caralho ela é minha melhor atendente”, mas eu continuei andando com todas as forças que eu tinha.

-Hey, antes de fazer qualquer coisa, qual o seu nome? – ele parou na minha frente, me encarando com um sorriso torto na cara.

-Emily. Emily Cherri – eu tinha um sorriso no rosto, que eu não conseguia tirar dali, mesmo se eu quisesse. – E o seu nome? – ele abaixou a cabeça com um sorriso.

-Phillip. Phillip Henderson. – ele estendeu a sua mão para que eu pegasse nela – Está preparada para isso my lady? – eu segurei em sua mão e com o mesmo sorriso ainda estampado no rosto eu respondi:

-Só me leve para o paraíso e não me deixe jamais. – eu não acreditava nas palavras que saíam da minha boca, não parecia eu mesmo falando.

-Isso é uma promessa – ele assentiu com a cabeça e nós começamos a andar sem rumo pelas ruas de Los Angeles.

Essa história foi retirada de outra fanfic minha, inspirada na música Don’t you want me.

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